
O Carnaval de Porto Seguro reafirmou mais uma vez sua identidade plural e cultural, consolidando-se não apenas como festa popular, mas como manifestação viva das tradições afro-brasileiras. Entre os destaques da programação, os blocos culturais ocuparam as ruas com ritmos, cores e mensagens que valorizam a ancestralidade e a resistência cultural.

Um dos momentos mais marcantes foi o desfile do Bloco Brasil Chama África, que levou para a avenida a força do afoxé, expressão musical de matriz africana profundamente ligada ao candomblé e às tradições dos terreiros. Com atabaques, cânticos e coreografias que evocam espiritualidade e identidade, o bloco transformou o circuito em um espaço de celebração da cultura negra e de reafirmação histórica.

A presença de integrantes de terreiro de umbanda reforçou o caráter sagrado e cultural do desfile, promovendo respeito à diversidade religiosa e ampliando o diálogo entre fé, cultura e arte. O cortejo emocionou moradores e turistas, que acompanharam o ritmo cadenciado e a estética marcada por vestimentas tradicionais, símbolos africanos e mensagens de valorização da herança ancestral.

Em meio aos grandes trios elétricos e atrações comerciais, a participação dos blocos culturais reafirma que o Carnaval de Porto Seguro vai além do entretenimento: é também palco de memória, resistência e afirmação identitária. O Bloco Brasil Chama África mostrou que tradição e festa caminham juntas, mantendo viva a essência afro-brasileira que faz parte da formação histórica da cidade e da Bahia.
O evento reforça o papel do Carnaval como espaço democrático de expressão cultural, onde ritmos, crenças e histórias se encontram para celebrar a diversidade que marca o povo baiano.
Por - Gutemberg Stolze / Imprensananet.com