
A prisão de dois investigadores e do delegado André Rabelo durante a Operação Perfidus escancarou uma realidade incômoda dentro da segurança pública: quando quem deveria combater o crime passa a operá-lo por dentro.
Em coletiva realizada na manhã desta terça-feira (2), o próprio delegado-geral da Polícia Civil da Paraíba, André Rabelo, foi direto ao classificar os envolvidos como “traficantes”, sem qualquer atenuante pelo fato de serem servidores públicos. A declaração, dura e necessária, revela a gravidade do caso: agentes do Estado acusados de integrar uma organização criminosa, repassando informações sigilosas, roubando drogas e comercializando entorpecentes para facções rivais, ou até para os mesmos criminosos que deveriam investigar.
A operação não apenas desmontou parte desse esquema, como também resultou na prisão de outros cinco traficantes, incluindo um dos principais alvos da polícia no estado, investigado há mais de cinco anos por tráfico de drogas e roubos a bancos.
O episódio levanta um alerta preocupante: até que ponto estruturas internas estão vulneráveis à infiltração do crime organizado? A fala de Rabelo, “a Polícia Civil não tem carne podre”, tenta reafirmar o compromisso institucional, mas, na prática, evidencia que o problema existe e não é pontual.
A ação da corporação em prender seus próprios membros é, sem dúvida, um passo necessário. No entanto, também expõe uma ferida que vai além de casos isolados: a fragilidade nos mecanismos de controle interno e a urgência de medidas mais rigorosas para evitar que o distintivo seja usado como ferramenta do crime.
Mais do que uma operação bem-sucedida, o caso Perfidus deixa uma mensagem clara: o crime organizado não apenas desafia o Estado, em alguns casos, ele se infiltra nele.
Por - Gutemberg Stolze / Imprensananet.com