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Por: Gutemberg Stolze
16/04/2026 - 11:44:56

 

O que deveria ser apenas mais um capítulo da crise de segurança pública na Bahia começa a revelar um cenário ainda mais grave: a possível infiltração política dentro do sistema prisional. O ex-deputado federal Uldurico Júnior passou a figurar no centro de investigações que apuram ligações diretas com facções criminosas que atuam dentro e fora dos presídios do estado.

 

A apuração ganhou força após operações da Polícia Federal e denúncias do Ministério Público da Bahia. Segundo as investigações, há indícios de que o ex-parlamentar teria mantido contato com lideranças criminosas custodiadas no sistema prisional, inclusive com acesso privilegiado a unidades como o Conjunto Penal de Eunápolis, sem passar por procedimentos padrão de segurança.

 

⚠️ Relação com diretora de presídio escancara crise institucional

O caso se torna ainda mais grave ao envolver a ex-diretora do presídio de Eunápolis, Joneuma Silva Neres.Apontada como “padrinho político” da gestora, o nome do ex-deputado aparece em denúncias que indicam uma relação que ultrapassaria os limites institucionais e entraria no campo de interesses escusos.

 

De acordo com o Ministério Público, a ex-diretora:

 

  • teria intermediado encontros clandestinos entre o político e integrantes de facções;

 

  • evitava registros oficiais dessas reuniões dentro do presídio;

 

  • atuava para favorecer criminosos e garantir influência política dentro da unidade.

 

As investigações ainda apontam que a gestora mantinha relação direta com líderes do chamado Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), grupo com conexões com facções nacionais.

💰 “Eleitores cativos” e suspeita de compra de votos

Um dos pontos mais alarmantes do caso é a suspeita de utilização do próprio sistema prisional como ferramenta eleitoral.

 

De acordo com denúncias:

 

  • votos de detentos, familiares e aliados teriam sido negociados;

 

  • valores giravam em torno de R$ 100 por eleitor;

 

  • o apoio político seria trocado por proteção e manutenção de interesses da facção;

 

O esquema indicaria uma estrutura organizada onde crime e política caminham lado a lado, transformando o sistema prisional em um verdadeiro “curral eleitoral do crime”.

🚨 Presídio sob influência do crime

As apurações também revelam um cenário preocupante dentro do Conjunto Penal de Eunápolis:

 

  • entrada irregular de itens e regalias para presos;

 

  • interferência em contratações e demissões de servidores;

 

  • atuação direta de facções no controle interno da unidade.

 

Relatos indicam que o presídio teria funcionado, por um período, sob influência direta do crime organizado, com respaldo interno e, possivelmente, articulação externa. 

 

⚖️ Defesa e desdobramentos

 

O ex-deputado nega envolvimento com irregularidades e afirma que pretende esclarecer os fatos. No entanto, o volume de indícios já coloca o caso como um dos mais graves escândalos recentes envolvendo política e sistema prisional na Bahia.

 

Caso as suspeitas sejam confirmadas, os crimes investigados podem incluir:

 

  • organização criminosa;

 

  • corrupção eleitoral;

 

  • corrupção ativa e passiva.

 

🧠 Análise crítica

 

O caso expõe uma ferida antiga do Brasil: a promiscuidade entre política e crime organizado. Quando agentes públicos passam a negociar influência com facções, o que está em jogo deixa de ser apenas corrupção, e passa a ser o próprio controle do Estado.

 

Mais do que um escândalo individual, o episódio levanta uma pergunta incômoda: até que ponto o sistema já foi capturado por interesses criminosos sem que a sociedade percebesse?

 

 

Por - Gutemberg Stolze / Imprensananet. Decom

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